O deputado João Paulo Cunha, do PT paulista, demorou três
anos para sentir-se ofendido com o artigo A coalizão dos
vigaristas, publicado no Jornal do Brasil em dezembro de
2005. Conforme petição encaminhada à Justiça, que acaba de
me intimar para uma audiência, Cunha acha que merece uma
indenização em dinheiro “por danos morais”. Continuo achando
que o que o ex-presidente da Câmara merece é cadeia. A
reprodução do texto permitirá que o leitor decida quem tem
razão.
Planalto paga mesada a deputados, foi esse o título da
reportagem publicada pelo Jornal do Brasil em 24 de setembro
de 2004. As primeiras quatro linhas resumiram o escândalo:
“O governo montou no Congresso um esquema de distribuição de
verbas e cargos para premiar partidos fiéis ao Planalto.
Chama-se mensalão”. Imediatamente, estendeu-se sobre a
bandalheira a rede corporativista tecida pelo cinismo dos
culpados e pelo silêncio dos bem-informados.
Estimulado pelo recuo dos muitos parlamentares que sabiam da
história, o deputado João Paulo Cunha, presidente da Câmara,
ordenou a abertura de uma sindicância para conferir a
denúncia. Os sherloques levaram duas horas para decidir que
a acusação era “impertinente”. João Paulo não perderia a
chance de fingir que, diante de agressões à instituição,
virava fera ferida.
No dia seguinte, reivindicou por ação judicial o direito de
resposta e prometeu exigir do JB “indenização por danos
morais”. A resposta, publicada em 30 de outubro, transpirava
indignação. A Câmara fora vítima de uma falsidade
inominável, bradou o articulista, que condenou “o
constrangimento imposto aos parlamentares”. Oito meses
depois, baseada na entrevista de Roberto Jefferson à
jornalista Renata Lo Prete, a Folha de S.Paulo anunciou que
o PT pagava mensalões a deputados. A essência da manchete
repetia a que enfurecera João Paulo no ano anterior. Mas
desta vez a fera de araque nem miou.
“Vocês ainda vão ouvir falar muito num carequinha chamado
Marcos Valério”, avisou Jefferson dias mais tarde. E então
se deu a metamorfose. Sumiu o João Paulo com cara de
garotão, maneiras polidas, cada fio de cabelo em seu lugar,
óculos de primeiro da classe, afeito a sussurros
conciliadores, mas disposto a enfrentar quaisquer perigos em
defesa dos oprimidos e dos princípios do PT. Com os mesmos
óculos, entrou em cena um tipo assustadiço, olheiras de
porteiro de cabaré, barba implorando por lâminas, cabelos em
desalinho, pupilas dilatadas pelo medo. Esse João Paulo era
o verdadeiro. Tinha a cara da alma, modificada pelo
lucrativo convívio com Marcos Valério.
Eles se conheceram na temporada eleitoral de 2002, quando
uma agência do vigarista mineiro foi contratada para cuidar
da campanha do PT em Osasco, onde João Paulo nasceu.
Vitorioso, o deputado transformou o novo amigo em
marqueteiro de estimação. Candidato único à presidência da
Câmara, João Paulo contratou-o para monitorar uma campanha
que não haveria. Depois, escolheu uma agência do parceiro
para “melhorar a imagem da Casa”. Grato, Marcos Valério
incluiu perguntas sobre o prestígio eleitoral de João Paulo
em pesquisas destinadas a avaliar a imagem da instituição. O
contrato foi renovado por dois anos no último dia útil de
2004.
Um cheque de R$ 50 mil valerianos recolhido pela mulher de
João Paulo na agência do Banco Rural acabou por incluí-lo na
fila da guilhotina. Puro descuido. A propina talvez tenha
sido a menor das muitas transações tenebrosas consumadas
pela dupla. Envolvem quantias bem mais impressionantes. Há
outras pilantragens em andamento.
O sonho do pivô do
escândalo do mensalão é disputar uma cadeira de deputado
federal
Embora seja tratado como uma espécie de assombração por
algumas alas do PT, que evitam sua proximidade pelo desgaste
que o episódio do mensalão causou ao partido, Delúbio Soares
ainda mantém estreitos laços com dirigentes petistas e com o
próprio presidente Lula. Tanto que passou o último final de
semana inteiro ao lado do presidente, hospedado em sigilo na
Granja do Torto.
O ex-tesoureiro do PT foi um dos pivôs do escândalo do
mensalão, em 2005 - responsável pelo maior desgaste político
do primeiro governo de Lula.
Na visita, Delúbio teria dito a Lula que pretende concorrer
a uma vaga de deputado federal por Goiás, de acordo com
reportagem publicada ontem pelo jornal O Popular, de
Goiânia.
Como foi rejeitado pelo PT, de onde havia sido expulso e
para onde tentou voltar, sem sucesso, a tendência é de
Delúbio filiar-se ao PT do B, que tem dois deputados
estaduais.
Delúbio chegou a sondar o PMDB, mas foi informado de que o
partido não deverá aceitá-lo, visto que não se dá com o
diretório municipal de Buriti Alegre (a cerca de 180
quilômetros ao sul de Goiânia), onde tem domicílio
eleitoral.
Um integrante da família de
José Sarney (PMDB-AP) disse que, diante da série de
denúncias, o presidente do Senado está no limite da
resistência e pode renunciar ao cargo ainda esta semana.
O peemedebista e seu grupo político ainda não bateram o
martelo em torno da palavra renúncia, mas entendem que o
peemedebista só terá condições de permanecer na presidência
da Casa se um fato extraordinário fizer parar a crescente
onda de denúncias contra ele e seus familiares, informa
reportagem de Jailton de Carvalho, Geralda Doca e Luiza Damé
publicada nesta segunda-feira no GLOBO.
- Esta semana as coisas se resolvem, para um lado ou para o
outro - declarou ao GLOBO um integrante da família Sarney.
Segundo esse parente, a pressão criada pelo conjunto de
acusações contra Sarney, os filhos e até netos, muitas
pessoais, ficou insuportável. E tudo que Sarney e os filhos
fazem para se defender ou se explicar, avalia, se volta
contra eles.
Na família, há a preocupação com a resistência física do
senador para, aos 79 anos, suportar a crise.
A sustentação de Sarney é considerada dificílima, pela
diminuição do apoio no próprio PMDB. Dos 18 senadores da
bancada, ele teria o apoio irrestrito de 12.
Nos partidos aliados, PT e PTB estão divididos. PDT, DEM e
PSDB, ainda que com dissidentes, são contra Sarney.
- É uma aritmética muito complicada, e ele poderá ter mesmo
que se desligar do cargo - admitiu ao GLOBO um dos senadores
peemedebistas mais próximos de Sarney.
Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou
com aquele papo de "experimenta, depois, quando você quiser,
é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu
coisa leve, disse que era de "raiz", "da terra", que não
fazia mal, e me deu um inofensivo disco do "Chitãozinho e
Xororó" e em seguida um do "Leandro e Leonardo". Achei
legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais
pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar
todo mundo de "Amigo" e acabei comprando pela primeira vez.
Lembro que cheguei na loja e pedi:
- Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano.
Era o princípio de tudo!
Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu
um CD de Axé.
Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... "Banda
Eva", "Cheiro de Amor", "Netinho", etc. Com o tempo, meu
amigo foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan", "Companhia
do Pagode", "Asa de Águia" e muito mais.
Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas
leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me
fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes,
então, meu "amigo" me deu o que eu queria, um Cd do
"Harmonia do Samba". Minha bunda passou a ser o centro da
minha vida, minha razão de existir. Eu pensava por ela,
respirava por ela, vivia por ela!
Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito,
e você começa a querer cada vez mais, mais, mais . . .
Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas.
Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show
de encontro dos grupos "Karametade" e "Só pra Contrariar", e
até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa.
Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro,
minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus
polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo
fazendo sinais de positivo.
Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode.
Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que
não dizia nada, eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns
passinhos ensaiados, sorriamos e fazíamos sinais combinados.
Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e
adquiri a coletânea "As Melhores do Molejão". Foi terrível!!
Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido
dissolvido pelas rimas "miseráveis" e letras pouco
arrojadas.
Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a
fase negra ainda estava por vir.
Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana,
quando comecei a escutar "Popozudas", "Bondes", "Tigrões",
"Motinhas" e "Tapinhas".
Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando
saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia
gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários
das drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar o
"caminho das pedras", outros extremistas preferiam o
"caminho dos templos".
Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos
radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado:
a droga limpa.
Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos
fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu
tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock,
MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é
possível que tenham que recorrer ao Jazz e até mesmo a
Mozart e Bach.
Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a
não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só
pensam no dinheiro.
Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua
visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não
reagir, vai acabar drogado:
alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e
distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.
Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e,
na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não,
faça o seguinte:
Não ligue a TV no Domingo a tarde;
Não escute nada que venha de Goiânia ou do Interior de São
Paulo;
Não entre em carros com adesivos "Fui ... "
Se te oferecerem um CD, procure saber se o suspeito foi ao
programa da Hebe ou se pareceu no Sabadão do Gugu;
Mulheres gritando histericamente é outro indício;
Não compre nenhum CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
Não vá a shows em que os suspeitos façam gestos ensaiados;
Não compre nenhum CD que a capa tenha nuvens ao fundo;
Não compre qualquer CD que tenha vendido mais de 1 milhão de
cópias no Brasil; e
Não escute nada que o autor não consiga uma concordância
verbal mínima.
Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos.