Curral eleitoral evoluiu e é controlado
através de cartão magnético
Mais uma vez a classe
política perde a chance de mudar a enlameada história
política brasileira.
Preferem optar por comprar descaradamente o voto, ao invés
de conscientizar os eleitores sobre a importância de se
eleger verdadeiros representantes.
Neste pleito, do qual tive a oportunidade de participar,
tentei em nossos inúmeros encontros com a população, falar
da importância do voto consciente. Da importância de se
buscar conhecer os candidatos e suas propostas. Mas,
lamentavelmente, depois de abertas as urnas, percebi que
preguei no deserto.
Apurados os votos e anunciados os eleitos, podemos notar que
a dependência venceu a consciência, ao ver que a maioria dos
eleitos, busca a troca do voto por benesses que vão de uma
dentadura, um litro de leite, a dramáticos cartões de Bolsa
Família. Terrível constatação.
E a indignação cresce ao ver os governantes de plantão, ao
invés de comemorarem a redução do tal Bolsa Esmola,
comemoram o aumento dos dependentes deste embuste, que tem
como princípio escravizar os indivíduos e criar um curral
eleitoral de abrangência nacional.
Podemos notar que este tipo de política condenável não está
mais restrita às áreas rurais do país ou a Estados que
sofrem pela falta de trabalho. Ela invadiu as cidades
desenvolvidas e está criando um exército de dependentes
utilizados para eleger políticos sem escrúpulos, que
exatamente por isso, são comprovadamente incompetentes.
Saí para exercer meu direito ao voto (o único direito
obrigatório de que tenho conhecimento), e o que vi pelas
ruas foi um retrato da total desordem que se tornou esta
campanha eleitoral: montanhas de panfletos de diversos
candidatos se amontoavam pelo chão, em cada esquina. Fazendo
um grande esforço para tratar a questão com bom humor, diria
que na verdade é um retrato da sujeira que é nossa política!
Mas o problema é sério, e não vejo motivos para tratá-lo com
bom humor!
Que candidatos são esses que dizem amar a cidade, que fazem
campanha prometendo cuidar do meio ambiente, que se exaltam
ao prometer aos pobres o fim do problema das enchentes, e
que logo em seguida colocam horda de cabos eleitorais nas
ruas pra distribuir e jogar ao vento toneladas de papéis?
Emporcalham as cidades e contradizem tudo o que prometem!
Sem falar que desobedecem a proibição do TSE, que proíbe a
panfletagem no dia da eleição!
Tenho certeza de que se forem questionados, dirão, coitados,
que de nada têm culpa pois quem espalhou os panfletos foram
os populares que os apoiam, e que nada podem fazer a
respeito!
Sinto desesperança e raiva! Desesperança porque não acredito
que estes candidatos realmente se preocupem com a cidade -
de outra forma não fariam esta imundice! Raiva por ver que a
preocupação com o meio ambiente só dura até a primeira
oportunidade de tirar proveito da sujeira!
E fico também indignado com as pessoas que vão às ruas fazer
esta imundície com a cidade onde moram em prol de uns
trocados ganhos dos candidatos! Até entendo sua necessidade
pelos trocados ganhos, e não tiro sua razão; mas essas são,
em geral, as mesmas pessoas que mais vão sofrer depois com
as enchentes causadas por bueiros entupidos e rios cheios de
lixo, levando a água a invadir suas casas!
Enfim, movido por esta desesperança, esta raiva e esta
indignação, faço aqui uma sugestão para as próximas eleições
(e, quem sabe, para inspirar aqueles que se elegerem hoje):
vamos aplicar o rigor da lei seca à campanha eleitoral!
Candidato que sujar a cidade tem sua candidatura impugnada!
Interrompo este desabafo para assistir à chuva que começa a
cair, e que vai levar os rostos e nomes dos candidatos
porcalhões para o lugar onde merecem estar: o esgoto!
Prefeito afirmou que
pedirá apoio para Alckmin e Soninha
O prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) fez
um breve pronunciamento por volta das 21h35 deste domingo
(5) no comitê central de sua campanha, que funciona no
antigo Edifício Joelma, na Avenida Nove de Julho, Centro de
São Paulo.
"O governador José Serra teve uma importância vital no
início da nossa administração e, com sua competência e
inteligência, deixou as linhas mestras e foi o responsável,
há 4 anos, pela elaboração, junto conosco, mas liderando um
plano de governo que tem sido obedecido e cujo a minha
candidatura propõe a continuidade.”
Fernando Limongi diz que disputa Kassab-Alckmin não
rachou bloco de centro-direita
De Maurício Puls:
O PT bateu em seu teto eleitoral em São Paulo e não deve
vencer a eleição para prefeito. A avaliação é de Fernando
Limongi, 50, professor titular do Departamento de Ciência
Política da USP, que publicou, com a cientista política Lara
Mesquita, uma análise sobre "As eleições municipais em São
Paulo entre 1985 e 2004" na revista "Novos Estudos" do
Cebrap nº 81.
Em seu estudo, Limongi e Mesquita argumentam que são os
eleitores de centro que decidem as eleições em São Paulo,
"inclinando-se ora à direita, ora à esquerda", mas, na
disputa entre PSDB e PT, o primeiro tem levado vantagem
sobre o segundo.